II FESTIVAL ‘SONS DO CÔA’

Numa organização conjunta, o Município do Sabugal e a Associação Cultural Oito Ecos têm a honra de apresentar a 2.ª edição do Festival ‘Sons do Côa‘, que decorre de 8 a 29 de outubro.

Sob a direção artística de João Andrade Nunes e criteriosamente desenhado para o concelho do Sabugal, o Festival ‘Sons do Côa’ é um projeto musical eclético, intergeracional e descentralizado, onde os mais variados estilos e épocas musicais são colocados em diálogo com a identidade e o património cultural autóctone.

Depois do êxito que a sua 1.ª edição granjeou, observando uma lógica de descentralização, ao longo do mês de outubro, em alguns dos mais emblemáticos locais do concelho, voltarão a ter lugar concertos que garantem uma grande diversidade, entre a intimidade da música de câmara e o brilho da música orquestral.

Construindo um presente enraizado na memória e aberto à aventura da imaginação, a 2.ª edição do Festival ‘Sons do Côa’ integra um concerto inteiramente dedicado à poesia portuguesa da segunda metade do século XX, no âmbito do qual se homenageará o sabugalense Manuel António Pina, poeta incontornável no arquivo vivo da literatura em língua portuguesa.

O sagrado musical no barroco europeu
Ensemble São Tomás de Aquino
João Andrade Nunes | Direção musical

Igreja de N.ª Senhora da Conceição do Soito
8 Out / 16h00

O sagrado musical no barroco europeu

Ao longo do designado período barroco, mormente compreendido entre o início do século XVII e a primeira metade do século XVIII, o sagrado toma corpo em variadas manifestações socioculturais. Naturalmente, na música sacra, aquela que acompanha os ritos litúrgicos, torna-se evidente esta manifestação. De igual modo, na arquitetura, na pintura, na iconografia ou mesmo na literatura podemos colher claros exemplos deste idioma cultural. Mas não só. Também na conceção política do poder absoluto, justificado pelas teorias hierocráticas. O barroco, transportando um significativo antropocentrismo, é, naturalmente, o período dos affetti. Como tal, a exuberância pode ser entendida como o seu fio condutor. Porém, essa exuberância nem sempre é brilho e esplendor. Ela também é capaz de habitar na mais perfeita representação da dor ou da inquietação. É, precisamente, esta pluralidade de sentimentos que o presente concerto, realizado com coro e orquestra, visa oferecer. O percurso far-se-á entre Alemanha, França e Itália. Os anfitriões serão Bach, Charpentier e Corelli.

Programa: Cantata Nach dir, Herr, verlanget mich, BWV 150, de J.S. Bach; Missa brevis, H.1, de Marc Antoine Charpentier; Sonata da chiesa a trè, n.º 5, op. 3, de Arcangelo Corelli.

Homens Errados e Loucos
Modinhas Luso-Brasileiras por Cantos do Sabiá

Auditório do Centro Cívico dos Fóios
15 Out / 16h00

A Modinha

Ao longo do século XVIII, a dinâmica da sociedade luso-brasileira permitiu o surgimento de um novo género musical: a Modinha, um tipo particular de canção acompanhada por instrumento. Nas cidades, a troca e partilha dos mais variados costumes derivados do aumento de população proveniente de meios rurais e do estrangeiro, e a presença de escravos e de libertos africanos resultaram na mestiçagem cultural brasileira e portuguesa, que aliada à procura crescente das práticas artísticas domésticas pela classe média afetou fortemente a produção musical de então. A Modinha não é mais do que o resultado desta mistura: um género com características simples, exóticas e populares, mas também eruditas, para voz ou vozes solistas, acompanhadas por cravo, pianoforte, viola (guitarra), guitarra portuguesa ou ainda um pequeno ensemble de câmara. Habitualmente era executada em saraus familiares de boas famílias para convidados, ou ainda em teatros musicais portugueses e brasileiros.

Programa: Modinhas luso-brasileiras do século XVIII.

Fantasias
Inês Andrade

Casa da Música da Bendada
22 Out / 16h00

Fantasias

Fantasias é a temática proposta, por Inês Andrade, para este recital de piano. Trata-se de uma viagem musical singular, cujo roteiro contém obras ímpares de Robert Schumann e Frédéric Chopin: Kreisleriana, Op. 16 e Fantasia em Fá menor, Op. 49, respetivamente.

A música tem olhos fulgurantes
Ensemble São Tomás de Aquino
Maria de Fátima Nunes | Direção musical

Auditório Municipal do Sabugal
29 Out / 16h00

«A música tem olhos fulgurantes»12

O programa proposto pelo Ensemble São Tomás de Aquino incita a uma viagem fascinante, no cruzamento entre a dicção poética e a arquitetura musical. Nessa viagem, conhecemos uma paisagem sonora enigmática. Onde começa a palavra poética e se inicia a construção musical. Onde traçar a fronteira entre o texto poético e o texto musical? No processo da sua invenção musical, o texto poético abre-se a outras perceções, já não redutíveis à leitura ou à escuta da palavra dita. Na sua «cristalização verbal» (seguindo uma expressão de Jorge de Sena), o idioma musical incorpora sentidos, imagens, memórias, humanizando a experiência da escuta musical. Esta «con(in)spiração» entre poesia e música tem raízes no grande arquivo da tradição europeia da música escrita. Em momentos históricos distintos, a música e a poesia litúrgica da monja medieval Hildegard von Bingen ou ciclos de canções do romantismo alemão do século XIX celebram essa cumplicidade.

Este concerto, desenhado para coro a cappella, propõe-nos um itinerário de celebração desta aliança entre música e poesia, convocando um conjunto diversificado de poetas da segunda metade do século XX, em língua portuguesa, revisitados por compositores nascidos nessa língua mátria. A memória do poeta com origens no Sabugal, Manuel António Pina, foi o sopro motor neste projeto. Por isso se inclui a estreia de duas obras musicais, realizadas a partir da sua poesia, especialmente encomendadas para o II Festival ‘Sons do Côa’. Nas suas palavras, «a música tem olhos fulgurantes».

Todos os concertos têm entrada livre.

O Festival ‘Sons do Côa’ conta com o apoio Antena 2.

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Organização

A Associação Cultural Oito Ecos foi criada em 2020, como associação cultural de direito privado, sem fins lucrativos, com o objetivo de promover e realizar atividades artísticas e culturais. Desde então, tem sido responsável pela Temporada de Música de São Tomás de Aquino, em Lisboa, pelo Festival ‘Sons do Côa’, no Sabugal, e suportou a realização do projeto discográfico Vimos do Mar e da Montanha, que teve a chancela da Paulus Editora. A Associação Cultural Oito Ecos conta com parceiros institucionais como: Município do Sabugal, Antena 2, Paulus Editora, DaCapo – Revista Musical e a Igreja Paroquial São Tomás de Aquino, entre outros.

Direção Artística

João Andrade Nunes (1990) é mestre (2019) e licenciado (2015) em Direito, pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Na mesma instituição, atualmente, é docente e doutorando, na especialidade História do Direito Português. Paralelamente, mantém uma atividade musical de âmbito profissional. Depois de ter realizado o Curso Integrado de Música nos conservatórios de música Pedro Álvares Cabral (Belmonte) e Oficinas de S. José (Guarda), em 2008, por meio de provas públicas, ingressou na Banda da Armada Portuguesa, como saxofonista solista. Em 2009, juntamente com a flautista Miriam Cardoso e o oboísta

Filipe Branco, fundou o grupo de música contemporânea Entre Madeiras Trio. Concomitantemente, licenciou-se em Música, pela Escola Superior de Música de Lisboa (2011). Nesta instituição, estudou técnicas de composição e harmonização com João Madureira. Fora da academia realizou, ainda, cursos de composição com Domenico Ricci, Fernando Lapa e Jorge Constante Pereira. Desde 2011, tem musicado e harmonizado inúmeros textos litúrgicos. Nesse sentido, destacam-se várias obras publicadas em plataformas digitais e em formato impresso como: Livro Cinzento – laboratório 2019, Editorial Frente e Verso, Braga, 2019, Cantoral Nacional para a Liturgia, Secretariado Nacional de Liturgia, Serviço Nacional de Música Sacra, Fátima, 2019 e Vimos do Mar e da Montanha, Paulus Editora, Lisboa, 2020. Como maestro fundou (2015) um peculiar projeto de divulgação e incremento de música sacra na liturgia designado de Ensemble São Tomás de Aquino, residente na Igreja São Tomás de Aquino, em Lisboa. Em 2019 integrou, como elemento do júri, o I Concurso Internacional de Composição, Prémio Clotilde Rosa e o Prémio de Composição Pe. Miguel Carneiro. É Diretor Artístico do Festival ‘Sons do Côa’ e Presidente da Direção da Associação Cultural Oito Ecos.