Alfaiates

O aglomerado de Alfaiates, cujo traçado urbano ilustra de forma clara o que seria uma Vila-Nova típica da Baixa Idade Média, pela sua disposição ortogonal, de grandes ruas e transversais, com quarteirões homogéneos, seria desde cedo, rodeado de uma cerca defensiva.

A povoação possuía grande valor estratégico, não tanto pelo eventual controlo visual do território imediato, mas pela sua colocação no corredor natural de comunicação entre as terras do vale do Águeda e as do vale do Côa.
Das respectivas fortificações leonesas e dionisinas pouco se sabe. Consta apenas que haveria originalmente um fosso e uma cerca de terra batida, de origem remota, talvez muçulmana, que terá originado o nome Al-hait – “o muro”, recebendo, mais tarde, um recinto amuralhado semelhante ao das restantes povoações raianas. (mais…)

Todavia, é da época de D. Manuel que conhecemos melhor as estruturas defensivas locais. Este monarca mandou ampliar a cerca medieval e edificar uma nova fortaleza na sua extremidade sul, projecto que seria concluído somente em 1641, com Brás Garcia Mascarenhas, governador desta Praça-forte, com aproveitamento dos muros e alicerces pré-existentes. Existem, hoje, escassos vestígios desta cintura de muralhas que envolvia o núcleo urbano, subsistindo ainda restos de uma porta e uma torre circular.

O castelo apresenta dupla linha defensiva de planta quadrangular, posta em losango. A interior possui duas torres quadrangulares arruinadas, colocadas em vértices opostos, sendo a torre de menagem de maiores dimensões. Os muros externos são complementados com pequenos cubelos nos vértices.

As nítidas diferenças arquitectónicas e construtivas entre o castelo e a sua barbacã, levaram a datar esta baixa construção exterior, como uma obra do capitão Mascarenhas. Todavia, para além do facto da barbacã ser uma estrutura fortificada tipicamente renascentista, as referências do contrato do pedreiro Martim Teixeira (1520) atestam, inquestionavelmente, a sua fundação manuelina. Ainda para mais, na fachada principal da cerca exterior, encontra-se o brasão real de D. Manuel, entre duas esferas armilares, tal como na janela existente na torre interna, a sudoeste. Quanto às robustas e arruinadas construções no interior da barbacã, ainda não datadas, talvez correspondam à alcáçova medieval construída por Afonso X de Leão cerca de 1230 e reedificada depois por D. Dinis no final do séc. XIII.

Sabe-se ainda que, no início do século XVIII, foi feito um projecto de conversão do aglomerado em fortaleza abaluartada, segundo o esquema típico desse período (aplicado, por exemplo, aqui próximo em Almeida), mas cujo desenho nunca chegou a ser executado.

Com o declínio da sua função militar, a par da perda da municipalidade de Alfaiates em detrimento do Sabugal (1836), o castelo passou a albergar o cemitério. No terreiro fronteiro continuou a realizar-se a tradicional feira, existindo ainda diversos alpendres encostados ao monumento, destinados a esse fim.