Há paisagens que se fotografam para serem mostradas. Outras, porque nos agarram por dentro.
Esta exposição nasce dessa segunda forma de olhar o Sabugal. São imagens de proximidade, fragmentos de uma terra que fui aprendendo a conhecer devagar: o granito e as suas formas, a floresta e os rios, a luz e as cores que desvenda, as pequenas mudanças que o tempo vai desenhando sobre a serra.
Não procuro aqui os grandes horizontes, nem a paisagem enquanto geografia.
Procuro a atmosfera, a emoção e aquilo que permanece quando nos aproximamos o suficiente para deixar de ver apenas um lugar e começar a senti-lo. Cada fotografia é, por isso, uma impressão deste lugar. Uma forma de guardar aquilo que o olhar encontra e que a memória, mais tarde, transforma em pertença. Imagens que, juntas, procuram dizer aquilo que é difícil explicar por palavras: a relação que fui construindo com esta terra.
Porque há paisagens que não cabem num mapa. Reconhecem-se, isso sim, pelo que nos fazem sentir. Pertencem aos domínios do coração.
Luís Afonso – Biografia
Nascido em 1972, fotografa desde 1997, dedicando-se exclusivamente à natureza desde 2008. Integra o projeto Primeira Luz desde 2010, onde liderou perto de uma centena de experiências fotográficas. O seu trabalho tem sido mostrado em diversas publicações e distinguido em vários prémios nacionais e internacionais. É orador e júri em eventos de fotografia de natureza em Portugal e, desde 2017, responsável pela programação do Festival de Fotografia de Paisagem de Manteigas. Autor de quatro livros, desenvolve um trabalho profundamente ligado ao território português.
É embaixador da Fujifilm e da Epson. Procura uma fotografia de natureza que vá além do simples registo daquilo que viu.
