Município do Sabugal Emite Parecer Desfavorável ao Programa Setorial de Aceleração de Energias Renováveis

Edifício histórico de pedra em praça com fachada de azulejos azuis, sob céu claro. Texto sobreposto em vermelho anuncia parecer desfavorável do Sabugal sobre programa setorial de energias renováveis.

O Município do Sabugal formalizou a submissão de um parecer desfavorável à proposta do Programa Setorial das Zonas de Aceleração de Energias Renováveis (PSZAER), no decorrer do processo de consulta pública.

Reconhecendo a importância estratégica da transição energética e a necessidade de reforçar a capacidade de produção de energia renovável, a autarquia defende, contudo, que este processo tem de ser equilibrado, integrado no território e articulado com os instrumentos de gestão territorial municipal.

No parecer apresentado, o Município sublinha que o Sabugal já serve de plataforma a vários aerogeradores, dispersos pelo concelho, e questiona a pertinência da criação de duas extensas Zonas de Aceleração de Energias Renováveis no território, previstas no respetivo Programa, pelos impactos profundos que poderão ter e na forma como se concilia o desenvolvimento económico com a sustentabilidade ambiental e a qualidade de vida das populações.

Considera-se, também, fundamental clarificar em que medida o poder municipal de deferimento e indeferimento na autorização de parques eólicos, no âmbito das Zonas de Aceleração de Energias Renováveis, constitui uma verdadeira expressão de autonomia local ou se poderá ficar condicionado por orientações e instrumentos supramunicipais.

Entende, por isso, a autarquia que devem ser devidamente definidos os limites jurídicos e práticos do poder municipal de decisão, face às exigências de articulação com entidades da administração central e aos objetivos de política energética.

O Município defende a importância de definir com clareza o modelo de retorno e de benefícios locais associados à implantação dos projetos, que deverão resultar em contrapartidas justas nestes territórios de baixa densidade.

Embora o zonamento das Zonas de Aceleração de Energias Renováveis seja de carácter indicativo e não estritamente definitivo, o Município entende que deve ser clarificado de que forma o Plano Diretor Municipal (PDM) deve enquadrar o Programa Setorial, em particular quanto às suas potenciais incompatibilidades com classes e categorias de espaço ou áreas de servidão administrativa e restrição de utilidade pública. Contudo, encontrando-se demarcados os espaços (expressão territorial) com potencial aptidão para a instalação de unidades de produção de energia a partir de fontes renováveis – eólicas ou solar – fará sentido verificar o seu enquadramento com os instrumentos de gestão territorial municipal.

No que respeita ao enquadramento das Zonas de Aceleração de Energias Renováveis – Eólicas no Plano Diretor Municipal do Sabugal, verifica se que estas áreas apresentam pequenas interceções com zonas de restrição de utilidade pública, como a REN (leitos de cursos de água, áreas de máxima infiltração e cabeceiras de linha de água), encontram se inseridas em áreas de perigosidade máxima de incêndio, abrangem a categoria de Espaços Florestais e incluem, ainda, Espaços de Exploração de Recursos Energéticos e Geológicos – Áreas Potenciais.

O Programa Setorial vincula, exclusivamente, as entidades públicas; contudo, a sua integração nos Planos Diretores Municipais passará a aplicar-se aos particulares.

Neste contexto, o Município alerta para a necessidade de acautelar que o espaço territorial das Zonas de Aceleração de Energias Renováveis não comprometa outros usos e ocupações, sobretudo quando parte da área proposta coincide com um espaço territorial urbano e parcialmente ocupado da Zona de Localização Empresarial, situação que pode gerar conflito com as estratégias territoriais municipais.

Urge clarificar de que forma o Programa Setorial será transposto para o PDM, caso não haja ajustes na respetiva peça gráfica, bem como a coincidência entre o zonamento eólico e solar previsto para o concelho, em particular se este se destina exclusivamente à instalação de soluções híbridas.

Com este parecer, o Município do Sabugal reitera a sua disponibilidade para contribuir, de forma construtiva, para o alcance dos objetivos da transição energética, defendendo que este processo deve alicerçar-se no planeamento, clareza, participação local e no respeito pelos valores e instrumentos de ordenamento do território e, sobretudo, no respeito pelas pessoas e seus modos de vida.

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